A pressão de professores e pais, às vésperas de um encontro de poesia, deixou os alunos da educação infantil da Escola Pedra da Gávea, na Barra, estressados. Em meio ao rebuliço em torno da organização do evento, um deles, na faixa dos cinco anos, chamou os outros para fazerem uma roda de ioga. "Foi uma atitude espontânea e impulsiva para trazer a calma de volta", conta, orgulhosa, a instrutora de ioga francesa Nathalie Brahmani Fourgeret, criadora do método, praticado por alunos do maternal à primeira série na Pedra da Gávea, há quatro anos.
São exercícios de relaxamento, alongamento, concentração, respiração e meditação associados às posturas da hatha yoga, praticados na hora da entrada, na volta do recreio e toda as vezes em que a turma fica exageradamente agitada, o que é comum na faixa etária. Bastam dez minutos ao som de um mantra e os próprios professores, treinados por Nathalie, conseguem colocar os pequenos nos eixos, pedindo a eles para mentalizarem florestas, animais, praias e paisagens.
"São ensinamentos para toda a vida. Eles passam a perceber que o estresse não é o estado natural deles e que, nessas horas, precisam voltar ao estado de paz. Isso vai ser aplicado no futuro, na vida profissional, na universidade, na vida adulta", diz a instrutora, com a experiência de quem morou anos na Índia, país com a prática de ioga bastante difundida nas instituições de ensino.
Na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos, os benefícios da filosofia oriental estão em livros e DVDs para crianças, inclusive com animações do elefante Babar fazendo ioga e ensinando as crianças. A ioga nas escolas foi idealizada pelo mestre indiano Saraswati Satyananda, na Bihar School of Yoga, de onde partiram os ensinamentos implantados nas universidades e na educação infantil na Índia, há cerca de 20 anos. Além de tranquilizar os alunos, o trabalho também é voltado para o controle emocional dos professores que cuidam das crianças.
Na Pedra da Gávea, os pais também podem fazer um curso para aprenderem a praticar com elas em casa, como ensinam os DVDs importados. A ideia de criança concentrada entoando o "Om" (som primordial da ioga) parece contraditória, mas funciona.
"Eles repetem tudo que os pais fazem. Se brigam, eles brigam. Se meditam, eles também", defende Nathalie.
Além de exercitar, a ioga desenvolve a concentração, a autoconfiança e a autodisciplina, que melhoram o rendimento escolar. A Escola Parque, na Gávea, desde março também oferece a prática, de forma extracurricular, aos alunos da educação infantil ao ensino fundamental. Os encontros acontecem duas vezes por semana e têm a duração de 50 minutos.
"Além de aliviar o estresse, melhora a relação entre eles", comenta a coordenadora Eliane Cordeiro.
É o que também percebe o educador e diretor do Colégio Andrews, Pedro Flecha Ribeiro, desde que a unidade adotou a ioga na educação infantil, há três anos. Durante os exercícios, os professores aproveitam para "trabalhar" temas subjetivos abordados em salas de aula durante o ano todo. O de 2009 é: "O que é ser humano?".
"A meditação, um momento de entrar em contato consigo mesmo, favorece o desenvolvimento e o aprendizado. São objetivos educacionais mais amplos, que ultrapassam a preocupação exclusivamente pedagógica. A escola se preocupa com formação do sujeito. Se ao longo do período escolar o aluno conseguir ter maior contato consigo mesmo, é um avanço. E as crianças gostam", garante.
JB Online
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