Matemática
“Problemas de aprendizagem ou de Ensinagem?”
Quem cria rótulos e problemas na escola?
O que é um problema de aprendizagem? Vamos primeiro tentar entender o significado de cada uma dessas palavras:
Problema: surgiu no século XVII e, segundo o Dicionário Aurélio, refere-se a uma questão matemática proposta para que se dê uma solução.
Aprendizagem:
de acordo com o Dicionário Aurélio, trata-se do
ato ou efeito de aprender.
Aprender: tomar conhecimento de algo, retê-lo na
memória em conseqüência de estudo,
observação, experiência,
advertência, etc.
Infelizmente
o que vemos em muitas escolas é o “problema de
aprendizagem” sendo visto como um distúrbio, um
fenômeno de causa única. O aluno que apresenta um
ritmo mais lento para aprender ou que aprende de forma diferente dos
demais é logo colocado em um “vidrinho de
conserva” e “rotulado”, e assim permanece
como se tivesse uma patologia.
Para Vigotsky, na visão sócio-interacionista, os
alunos deveriam ser encorajados a adquirir conceitos
científicos através das atividades propostas pela
escola e assim modificar sua relação cognitiva,
ou seja, aprender. Esses alunos que apresentam ritmos diferentes e
comportamentos tidos como problemas no aprendizado escolar, fazem parte
do grupo da escola e não deveriam ser estigmatizados e muito
menos isolados.
Trata-se de olhar para esse aluno muito mais para identificar as suas capacidades potenciais, do que classificá-lo dentro de algum distúrbio ou doença. O papel do educador é o de fazer intervenções a fim de possibilitar que esse educando aprenda.
Cabe ao educador olhar o processo educativo como um todo em oposição à rotulação do aluno, dar aos pais incentivo e passar a confiança aos mesmos de que a escola desenvolve um bom trabalho com seus filhos, afinal é papel da escola lidar com a formação do conhecimento.
Para finalizar, entendo que cabe à escola, e em especial ao professor, ampliar a visão sobre “problemas de aprendizagem”, aprimorando sua competência e atuação. Como diz Alícia Fernández, psicopedagoga argentina, “o problema não é de aprendizagem, mas sim de ensinagem”. É o professor quem deve buscar meios e alternativas criativas para que seu aluno aprenda.