Informática na Educação nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental
Jean Felipe Francisco
Estamos praticamente vivendo na sociedade do conhecimento, pois os
processos de aquisição do conhecimento assumem um
papel de destaque exigindo um profissional crítico,
criativo, reflexivo e com capacidade de pensar, de aprender a aprender,
de trabalhar em grupo e de se conhecer como indivíduo. Cabe
à educação formar esse profissional.
No entanto, a educação capaz de formar esse
profissional não pode mais ser baseada na
instrução que o professor transmite ao aluno, na
construção do conhecimento pelo aluno e no
desenvolvimento dessas novas competências.
Uma das tentativas de se repensar a educação tem
sido feita por intermédio da
introdução do computador na escola. Entretanto, a
utilização do computador na
educação não significa,
necessariamente, o repensar da educação. O
computador usado como meio de passar a informação
ao aluno mantém a abordagem pedagógica vigente,
informatizando o processo instrucional e, portanto, conformando e
fossilizando a escola. Na verdade, tanto o ensino tradicional quanto
sua informatização prepara um profissional, de
modo a não se tornar obsoleto.
Por outro lado, o computador apresenta recursos importantes para
auxiliar o processo de mudança na escola: a
criação de ambientes de aprendizagem que
enfatizam a construção do conhecimento e
não a instrução. Isso
implica entender o computador como uma nova maneira de
representar o conhecimento, provocando um redimensionamento dos
conceitos básicos já conhecidos e possibilitando
a busca e compreensão de novas ideias e valores.
Usar o computador com essa finalidade requer a análise
cuidadosa do que significa ensinar e aprender, demanda rever a
prática e a formação do professor para
esse novo contexto, bem como mudanças no
currículo e na própria estrutura da escola.
(José A. Valente NIED-UNICAMP e CED-PUCSP)
Temos que partir do princípio de que o computador
é apenas uma ferramenta, sozinho, não
é capaz de trazer avanços educacionais. Uma
escola que resolve utilizá-lo como recurso
didático necessita de bons professores, os quais
estejam preparados e
treinados para utilizar os recursos oferecidos por este sistema
tecnológico de forma significativa.
Colocar qualquer software para os alunos usarem não gera
aprendizado. É importante que a escola tenha um projeto
pedagógico que envolva a utilização do
computador e seus recursos. O aluno não pode ser um mero
digitador, mas sim, deve ser estimulado a produzir conhecimentos com o
uso
do computador. Neste sentido, o professor deve agir como um orientador
do projeto que está sendo desenvolvido.
Considerando o que Vygotsky (1989) destaca sobre o nível de
desenvolvimento que o sujeito já possui e o nível
que está ao alcance de suas possibilidades e sob a
condição de que lhe ajudem, o papel do
facilitador está em encaminhar e propiciar
assistência que permita ao sujeito atualizar os
conteúdos incluídos na Zona do Desenvolvimento
Proximal. Podemos considerar aqui o computador atuando como objeto que
a criança manipula, tendo o professor como mediador em uma
interação rica de ideias e atividades
no processo de ensino (VALENTE,1996). O computador tem provocado uma
revolução na educação por
causa de sua capacidade de "ensinar".
Existem várias possibilidades de
implantação de novas técnicas de
ensino e contamos, hoje, com o custo financeiro relativamente baixo
para implantar e manter laboratórios de computadores, o que
é cada
vez mais exigido tanto por pais quanto por alunos. Tudo isso causa
insegurança nos professores que, num primeiro momento, temem
ser substituídos por máquinas e
programas capazes de cumprir o papel antes reservado para o ser humano.
Mas o computador pode realmente provocar uma mudança no
paradigma pedagógico e colocar em risco a
sobrevivência profissional daqueles que concebem a
educação como uma simples
operação de transferência de
conhecimentos do mestre para o aluno. (VALENTE, 1993)
Segundo Valente, o computador pode ser usado na
educação como máquina de ensinar ou
como ferramenta para ensinar. O uso do computador como
máquina de ensinar consiste na
informatização dos métodos de ensino
tradicionais. Do ponto de vista pedagógico, esse
é
o paradigma instrucionista. Alguém implementa no computador
uma série de informações, que devem
ser passadas ao aluno na forma de um tutorial, exercício,
prática ou jogo. Entretanto, é muito comum
encontrarmos essa abordagem sendo usada como construtivista, ou seja,
para propiciar a construção do conhecimento na
"cabeça" do aluno, como se os conhecimentos fossem tijolos
que devem ser justapostos e
sobrepostos na construção de uma parede.
Nesse
caso, o computador tem a finalidade de facilitar a
construção dessa "parede", fornecendo "tijolos"
do tamanho mais adequado, em pequenas doses e de acordo com a
capacidade individual de cada aluno (Valente, 1999). O conhecimento
por meio do computador tem sido denominado por Papert de
construcionismo. Ele usou esse termo para mostrar outro
nível de construção do conhecimento: a
construção do conhecimento que acontece quando o
aluno constrói um objeto de seu interesse, como uma obra de
arte, um relato de experiência ou um programa de computador
(Papert, 1986).
Na noção de construcionismo de Papert, existem
duas ideias que contribuem para que esse tipo de
construção do conhecimento seja diferente do
construtivismo de Piaget. Primeiro, o aprendiz constrói
alguma coisa, ou seja, é o aprendizado por meio do
fazer, do "colocar a mão na massa". Segundo, o fato de o
aprendiz construir algo do seu interesse e para o qual ele
está bastante motivado. O envolvimento afetivo torna a
aprendizagem mais significativa. No construcionismo, o computador
requer
certas ações efetivas no processamento da
construção do conhecimento.
Para "ensinar" pelo computador, o aluno deve utilizar
conteúdos
e estratégias (Valente, 1999). No caso do computador, o
aluno
tem que combinar este conteúdo e estratégia a um
programa que resolva este problema, como a linguagem Logo. Para
Valente, o que contribui para a diferença entre essas duas
maneiras de construir o conhecimento é a presença
do computador, o fato de o aprendiz construir algo por meio do
computador (computador como ferramenta). O uso do
computador requer certas ações que são
bastante efetivas no processo de construção do
conhecimento. Quando o aprendiz está interagindo com o
computador, ele está manipulando conceitos e isso contribui
para o seu desenvolvimento mental (VALENTE, 1999).
Conclusão
Podemos mostrar a capacidade do computador como instrumento
pedagógico para a elaboração de
atividades, que permitem o aluno passar por um processo de
construção do conhecimento.
No entanto, isto não significa que o computador por si
só basta para revolucionar a educação.
Com a visão de professor e o conhecimento do potencial do
computador, posso elaborar atividades, projetos e pesquisas que
propiciem
a aprendizagem por meio da discussão e
simulação de programas.
Com a globalização do conhecimento e da
informatização presente em nosso dia a dia,
é possível utilizar esse conhecimento para
trabalhar os conteúdos pedagógicos, levando o
aluno a analisar os acontecimentos da sociedade e do mundo,
construído uma educação voltada para a
realidade atual e para o mercado de trabalho, o qual cada dia exige
mais
conhecimentos de informatização ( Francisca
Nilde G. da Silva).
Referencial
Bibliográfico
ALMEIDA e VALENTE, Núcleo de Informática Aplicada
à Educação - NIED /PUC-SP:
visão analítica da informática na
educação no Brasil: a questão da
formação do professor. Disponível em
acesso em 03/05/2007.
O computador na sociedade do conhecimento/José Armando
Valente, organizador Campinas, SP: UNICAMP/NIED, 1999. VALENTE,
José Armando.
Computadores e Conhecimento: repensando a
educação. Por que o computador na
educação. Gráfica central da Unicamp,
Campinas-SP, 1993.
_______O Professor no ambiente Logo:
formatação e atuação / Jose
Armando, Valente organizador – Campinas, SP:
UNICAMP/NIED,1996. VALENTE, J. A. & Almeida, F.J.
Visão Analítica da Informática na
Educação: a questão da
formação do professor.
Revista Brasileira de Informática na
Educação, Sociedade Brasileira de
Informática na Educação, nº
1, pg. 45-60. (1997).
José A. Valente NIED-UNICAMP e CED-PUCSP.
Jean
Felipe Francisco atua em
oficinas do Projeto Educação em Tempo Integral,
da empresa Planeta Educação, como mediador de
formação em Cinema, Teatro e
Informática no município de Votorantim, SP.